quinta-feira, junho 16

Os exames e os professores

A polémica da greve dos professores, marcada para a época dos exames de 9º e 12º ano é mais uma óbvia maneira de demonstrar o pouco ou nenhum respeito que os sindicatos têm pela missão dos trabalhadores que representam.

Os exames de 12º ano são, provavelmente, a ocasião mais dura da vida académica dos estudandes nacionais, tal é a guerra para entrar no curso que se quer, na Universidade que se quer, fruto do profundo desequilíbrio oferta-procura existente. Marcar uma greve para esta altura do ano, devido ao congelamento de progressões automáticas, essa grande afronta ao mérito individual e barreira à melhoria dos serviços, é no mínimo escandaloso.

Os professores têm-se transformado, ultimamente, nuns coitadinhos. Ao já noticiado (e mesmo assim intratado, por agora) excesso de oferta de docentes, às colocações em locais distantes, ao desgaste, etc..veio juntar-se a vergonha (sim, foi realmente uma vergonha) que foi a colocação no início do actual ano lectivo.

Porém, esta vitimização, apoiada pelas grandes confederações sindicais, esconde muitas outras benesses que este tipo de funcionário público tem, a começar pelas ditas progressões automáticas (isto numa actividade em que o mérito não é dificilmente avaliado, e onde, à priori, não há jobs for the boys). Para não lembrar os escãndalos que foram (e são, ainda que em menor escala) os destacamentos por doença, por doença da mãe, do pai; as ireegularidades constantes nos preenchimentos, as faltas que se dão, além de uma deficiente aproximação ao aluno e de uma constante indisponibilidade para fazer da escola um ponto de apoio e suporte à formação como pessoa dos alunos.

Bem fez a sr Ministra em suspender as aulas e a convocar os serviços mínimos. Já agora, ponto de troça para o comentário de uma professora que apareceu na SIC com a grande frase de que "muitos professores agora destacados pelos serviços mínimos para os exames não estão preparados não sabem o que vão fazer". Será assim tão difícil distribuir folhas de exame, confirmar identidades, vigiar as provas e entregá-las ao secretariado de exames no final das mesmas?

Espera-se uma certa "mão na consciência" por parte dos professores, porque não cabe na cabeça de ninguém exames em Agosto!
Tiago Alves

malta com binóculos

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