quinta-feira, junho 23

O pré e o pós Sampaio

Um insustentável peso na consciência. É neste plano que deve ser entendido o ataque de Jorge Sampaio ao sector financeiro - compreensível no homem de rua, absolutamente impróprio de um chefe de Estado.
Sampaio gostava de voltar atrás, mas não pode. O país que vai deixar está pior do que aquele que recebeu quando chegou a Belém e isso dói - percebe-se que também doa a quem, num retrospectivo exercício de balanço, reconhece ter falhado.
Raul Vaz, no DN de hoje

Sampaio nunca conseguiu livrar-se daqueles a quem deveu a sua eleição, em 1995. Deveria agradecer ao PP de Manuel Monteiro, o verdadeiro responsável pela derrota do prof. Cavaco Silva, ao invés de procurar agradar ao seu PS e à enorme campanha, montada desde 1992, liderada por esse grande senhor do coração e da comiseração que foi António Guterres.
Sampaio deixou o país ruir à frente dos seus olhos, sem mexer um dedo, tal qual Vítor Constancio, que sempre souberam a que abismo nos levaria a política financeira e social dos governos de Guterres. Mas nada disseram, nada poderiam dizer, sob pena de prejudicar o PS "deles". Nunca se ouviu dizer, de nenhum deles, que o endividamente crescia de forma nunca vista, que o incentivo dado ao consumo era insustentável a prazo, que estávamos a crescer mais do que podíamos, que os aumentos salariais eram demasiado elevados, que mais tarde ou mais cedo teríamos a factura, quando a bolha rebentasse.

Agora, como diz Raul Vaz, Sampaio, um homem de consciência, sincero e, creio, muito boa pessoa, vê que optou mal, e nos últimos meses de mandato, perdido por cem, perdido por mil, confessa-se, desorientado, que não era o que queria, que não era assim. Não era, mas foi. A tal História dedicar-lhe-á muitas linhas, certamente, mas muitas não serão de louvor.
Tiago Alves

malta com binóculos

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